TVI em “crise de audiências”? – Segunda Opinião
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| Edição #291 | Por Filipe Vilhena |
A TVI atravessa momentos complicados nas audiências e arrisca-se a perder a liderança para a SIC. Apesar de também o canal 3 ter horários “no vermelho”, a queda da estação de Queluz de Baixo parece mais evidente.
Comecemos pelo facto de a TVI “sobreviver” apenas de reality
shows. O “Big Brother” e o “Secret Story” continuam a ser os pilares do canal
de televisão de José Eduardo Moniz e Cristina Ferreira. Os finais de tarde, parte
do horário nobre, o início da madrugada, os sábados à tarde e dos domingos à
noite estão entregues a estes formatos – se a edição resultar, a TVI vence,
caso contrário, vê a SIC aproximar-se ou ganhar. Além disso, os diversos talk
shows já não se fazem sem comentários aos reality shows ou com a presença de
ex-concorrentes. Também os ex-participantes e as suas polémicas contribuem para
as audiências do canal 4. Só neste primeiro ponto já temos um problema, pois
defendo que um canal de televisão deve ter vários alicerces na programação para
obter bons resultados.
Além destes pontos, a TVI deixou de sorrir na ficção.
Novelas como “A Protegida”, “Terra Forte” e “Amor à Prova” ficam aquém das
expectativas em termos de números. E o que faz quem gere o canal? Aposta nas
mesmas estratégias. A história é sempre anunciada como “uma grande novela” que
“pretende deixar os espectadores rendidos” e com um “elenco de luxo”. Já
ouvimos e lemos estas palavras tantas vezes, que não resulta.
Leia também: "1ª Companhia" bem, TVI mal – Segunda Opinião
Poderia apontar mais razões para a quebra de audiências na
ficção – como a padronização das histórias e as personagens cada vez menos
“profundas” – mas vou destacar o facto de a TVI “atirar” novelas para outros
horários como quem vira frangos num churrasco. Começam depois do “Jornal
Nacional”, quando estreia outra passam para as 23:00 horas e com episódios mais
curtos e, no caso de “A Protegida”, podem acabar nas madrugadas de sábado. A
pobre “Festa é Festa” (ou “After é After” como eu gosto de chamar, dado o
horário em que acabou) foi para as madrugadas dos dias úteis. Poucos são os
espectadores que vão “esperar” até tarde para ver a trama e ter de assistir a
outra. Simplesmente o público deixa de ver ou procura depois as gravações.
Essas trocas provocam revolta nos espectadores – e com razão, é uma falta de
respeito mudar as novelas de horário e, muitas vezes, sem avisar.
Outro dos problemas na grelha da TVI é o exagero na duração
dos programas e a falta de uma pausa entre temporadas. Os formatos parecem
pensados para ocupar o máximo de horas possível e são transmitidos até perderem
grande parte dos espectadores. Temos, por exemplo, o “Funtástico” que é um
programa interessante e divertido para os domingos, mas que ocupa toda a tarde
– são muitas horas. Além disso, como referido acima, as temporadas são todas
seguidas e sem uma pausa – mais cedo ou mais tarde começa a cansar. Também a
dupla “A Sentença” de segunda a sábado vai começar a perder espectadores mais cedo
ou mais tarde, são 12 episódios por semana.
É urgente que se comecem a repensar estratégias na estação de Queluz de Baixo. As audiências têm ido a mínimos nos horários de “Intuição”, nos segmentos da “1ª Companhia”, nos horários das novelas, no “Em Família”, entre outros. Enquanto isso, a SIC vai-se aguentando com a ficção e a informação, apesar de também ter várias questões a melhorar na programação.
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