"1ª Companhia" bem, TVI mal – Segunda Opinião
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| Edição #290 | Por Filipe Vilhena |
A TVI decidiu resgatar a “1ª Companhia” do baú das memórias e estreou uma nova edição do programa 20 anos após as duas primeiras temporadas, apresentadas por Júlia Pinheiro. Maria Botelho Moniz é a nova cara do programa que acompanha 14 celebridades como se estivessem na tropa em regime de recruta.
A aposta foi arriscada, uma vez que nem sempre trazer
formatos antigos é sinónimo de sucesso. Só por isso a estação de Queluz de Baixo
já merece reconhecimento por variar nos reality shows. Além disso, trouxe a
verdadeira essência do programa, com a música, o genérico, a exigência e as
regras. Mostrou-nos também que Maria Botelho Moniz é uma das melhores
apresentadoras da TVI e tem estado à altura do desafio que lhe foi proposto. A
juntar a isso, o leque de concorrentes foi bem escolhido e é sempre
interessante dar oportunidade a figuras públicas menos conhecidas de se
mostrarem e partilharem com os espectadores a sua arte. Do grupo, os
protagonistas neste momento são Andrea Soares, Filipe Delgado, Rui Freitas e
Noélia Pereira. Sara Santos, a última expulsa, também merece ser destacada,
pela leveza e diversão que trazia.
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Apesar de todos estes pontos positivos, a “1ª Companhia” tem
perdido espectadores ao longo das semanas, muito por culpa das decisões da TVI.
Em primeiro lugar, este reality show é diferente do “Big Brother” e do “Secret
Story” e, uma vez que os recrutas passam muitas horas a treinar ou em aulas,
não existem tantas imagens para preencher os 35 blocos diários - o “Última Hora”,
o “Diário”, o “Especial”, o “Extra” e as galas. O que tem acontecido é a
repetição das mesmas imagens, o que só prejudica o programa. Também os comentadores
falam e falam à tarde e à noite para encher as emissões que por vezes parecem infinitas.
A TVI não pensou em dinâmicas adicionais para que os concorrentes conseguissem
mostrar mais de si e dar mais “sumo” ao programa. Este programa não tem missões,
tarefas semanais, cadeiras quentes e como os participantes passam o dia ocupados,
nem têm assim tanto tempo para discutir. Ou adicionavam novos momentos ou diminuíam
as horas de emissão no canal principal – esta segunda hipótese é mais improvável.
Outras das questões que prejudicou a “1ª Companhia” foi a troca de horário do “Especial”. Para colmatar a queda livre de audiências que se verifica nas novelas, a TVI colocou “Amor à Prova” mais cedo, seguida do reality show e depois “Terra Forte”. Uma estratégia que prejudicou o programa de Maria Botelho Moniz, não só naquele horário, como em todos, uma vez que mais tarde, o formato tem menos exposição ao público. A verdade é que a “1ª Companhia”, se tivesse apenas um resumo diário à noite, logo a seguir ao “Jornal Nacional”, poderia ter mais audiências. A alteração das nomeações de domingo para segunda-feira e o facto de a gala acabar como se a Maria Botelho Moniz tivesse de ir apanhar a roupa porque começou a chover são uma tremenda falta de respeito para com o público
A televisão está a perder audiências gradualmente e o desespero de quem gere os canais ouve-se daqui. As estratégias são sempre as mesmas - antiquadas - e os programas nunca são pensados para quem vê televisão agora. Quem decide deveria atualizar-se e rodear-se de pessoas mais jovens, com novas visões e estratégias. Se a TVI (e a SIC, mas esta crónica e sobre o canal 4) continuar assim, daqui a uns anos nem os reality shows vão salvar a programação.






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