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segunda-feira, 2 de julho de 2018

"Livro de Estante" #3- "O Deus das Moscas", de William Golding

"Livro de Estante" #3- "O Deus das Moscas", de William Golding

©Raquel Branco


Autor(a): William Golding
Título Original: Lord of the Flies
Editora: D. Quixote
Páginas: 248
ISBN: 978 972 20 4797 5



SOBRE O AUTOR:
William nasceu a 19 de setembro de 1911, na Inglaterra. Estudou ciências naturais em Oxford e serviu a marinha britânica na segunda guerra mundial. Escreveu 0 Deus das Moscas em 1954.Ganhou o nobel da literatura de 1983. Acredita-se que a saga Jogos da fome de Suzanne Collins tenha sido inspirada neste romance.

SINOPSE:
“Um avião despenha-se numa ilha deserta e os únicos sobreviventes são um grupo de rapazes. Inicialmente, desfrutando da liberdade total e festejando a ausência de adultos, unem forças, cooperando na procura de alimentos, na construção de abrigos e na manutenção de sinais de fogo. A supervisioná-los está Ralph, um jovem ponderado, e o seu amigo gorducho e esperto, Piggy. Apesar de Ralph tentar impor a ordem e delegar responsabilidades, muitos dos rapazes preferem celebrar a ausência de adultos nadando, brincando ou caçando a grande população de porcos selvagens que habita a ilha. O mais feroz adversário de Ralph é Jack, o líder dos caçadores, que consegue arrastar consigo a maioria dos rapazes. No entanto, à medida que o tempo passa, o frágil sentido de ordem desmorona-se. Os seus medos alcançam um significado sinistro e primitivo, até Ralph descobrir que ele e Piggy se tornaram nos alvos de caça dos restantes rapazes, embriagados pela sensação aparente de poder.”


Este foi o primeiro livro escrito pelo autor. Publicado pouco depois da segunda guerra mundial, é uma alegoria à mesma.

A história desenrola-se numa ilha deserta no meio do oceano pacífico, onde um grupo de rapazes, que escaparam de um desastre de avião, tentam sobreviver. Muito pouco sabemos em relação a estas personagens e à sua vida antes de ficarem presos na ilha.

Apesar de estarem agora num mundo sem regras, o chefe do grupo passou a ser Ralph que, ajudado por Piggy, tentou ao máximo trazer equilíbrio à nova comunidade e também fazer com que estes fossem salvos. Porém Jack Merridew, um oponente de Ralph, procura também a liderança e acaba a fazer de tudo para que tal aconteça.

Na edição que li, a parte de trás do livro tem uma imagem de um porco a preto e branco, sob a ilha. Ao ler, percebemos que o grupo ao matar porcos para se alimentar, acabou a deixar uma cabeça de uma porca numa estaca como oferenda para uma besta que os atormentava. Depois de alguma interrogação, cheguei à conclusão de que representa a transformação pela qual todos eles passaram assim que chegaram à ilha.

Longe dos adultos ou de qualquer tipo de supervisão, os rapazes acabam a perder o controlo das suas ações. Podemos então tirar umas quantas conclusões desta leitura: o facto de serem crianças não lhes tira responsabilidades; um grupo de pessoas em isolamento pode terminar em cenários de barbaridades e o mais importante, que por mais que existam defeitos na nossa sociedade, ela é necessária para nos guiar.

Em suma, este livro gira em torno da condição humana em si e o que é viver em sociedade. É interessante entender a reação quando colocados nos seus extremos, a necessidade de individualidade, mas também de convívio entre os seres humanos.

Porém, a forma como o autor tratou este tema, recorrendo a crianças torna a história ainda mais assustadora e perturbadora do que talvez seria com adultos. E porquê? Porque este livro investiga alguns temas pelos quais alguns filósofos se debruçam há muito, muito tempo: Qual é a tendência natural dos seres humanos que vivem em grupo? A ordem ou o caos? Será que é possível viver sem leis, sem autoridade? O que fala mais alto: a harmonia ou a violência?

Estes aspetos ganham mais ênfase sendo tratados numa comunidade onde só habitem crianças. As histórias em geral têm a tendência de associar o puro e inocente à imagem de uma criança. Neste livro, as personalidades são muito mais reais. Todos sabemos que não nascemos ensinados e que se nos comportamos de determinado modo é porque fomos educados a tal. Isto vale para todos os aspetos: o respeito pelas outras pessoas, a nossa maneira de falar, etc. Mas numa ilha deserta, esses valores deixam de ser implementados. O que leva a situações sinistras até.

Recomendo vivamente a leitura, é muito fácil de ler e a história muito interessante. E claro, sendo uma distopia, deixa sempre o leitor a pensar.

Uma curiosidade em relação a este livro, que não se pode encontrar na leitura é a seguinte: o título, O Deus das moscas é uma tradução muito comum a uma palavra que aparece na bíblia e que faz referência ao demónio: Belzebu.

Disfarçadamente, William Golding deu o nome do diabo ao seu livro.

Se tinha ainda alguma dúvida em relação á natureza destas personagens, tenho a certeza que agora já não existe.


ONDE COMPRAR O LIVRO?

Por: Raquel Branco

segunda-feira, 18 de junho de 2018

"Segunda Opinião" #122- "Terra Nossa": a melhor aposta da SIC?

"Segunda Opinião" #122- "Terra Nossa": a melhor aposta da SIC?

Estreada a 29 de setembro de 2014, "Segunda Opinião" é uma parceria com o site Fantastic Televisão, onde todas as semanas é abordado um assunto do mundo televisivo.


César Mourão está de volta às noites de domingo, com um novo formato. "Terra Nossa" é o nome do programa que leva o apresentador e humorista a terras portuguesas, com o objectivo de descobrir os segredos das localidades.

Adaptado do original dinamarquês "Comedy on the Edge", a primeira temporada do programa em Portugal é composta por quatro episódios e é dedicada a estrelas da selecção nacional. No mês em que tem início o Mundial de Futebol, a SIC decidiu visitar as terras de Cristina Ronaldo, Rui Patrício, Fernando Santos e Bruno Alves.

Assim, César Mourão rumou a santo Anónio (Funchal), Regueira de Pontes (Rui Patrício), Gaeiras (Óbidos) e Póvoa de Varzim. O objetivo parece simples, mas tudo é possível neste formato. Durante 48 horas, a equipa vai percorrer as ruas das localidades, para conhecer as pessoas da terra e ouvir as suas histórias, com o objetivo de criar um espetáculo de stand-up exclusivo apresentado aos habitantes. Em casa, o que resulta é um programa com cerca de 45 minutos, com os melhores momentos destes dois dias.

Em "Terra Nossa", César Mourão volta a provar que é um dos melhores improvisadores do nosso país - ou, provavelmente, o melhor - e este programa leva-o para fora dos estúdios e cria uma relação directa com o público. E se a capacidade de improviso do apresentador é crucial para o sucesso do programa, também a intervenção dos habitantes das várias terras acaba por ser importante para criar dinâmica ao formato. Produzir um espetáculo de stand-up em apenas 48 horas não é fácil. Se juntarmos a isto todos os depoimentos recolhidos nas ruas, a tarefa torna-se ainda mais complicada.

Mas "Terra Nossa" consegue-o, provando que é possível adaptar um formato internacional e torná-lo bastante português. Enquanto a TVI continua em apostar na nova temporada do "Secret Story" e a RTP1 exibe filmes portugueses no espaço deixado vago pelo "Got Talent Portugal", a SIC continua uma aposta relativamente recente nos programas de entretenimento que trazem também humor às noites de domingo. Depois da nova temporada de "Vale Tudo", do bem sucedido "D'Improviso - um programa original da SIC - e do fracasso de "DivertidaMente", o "Terra Nossa" parece ter agradado ao público.

Embora as audiências não tenham levado o programa de César Mourão até à liderança, fez com que os valores estabilizassem e o número de espectadores subiu substancialmente em relação ao seu antecessor. Depois desta série especial dedicada à selecção nacional, ainda não está confirmada uma nova temporada de "Terra Nossa", embora a aposta pareça fazer sentido. Até lá, as noites de domingo da SIC serão ocupadas pela magia de "Minutos Mágicos" e os apanhados do "Não Ha Crise" durante os meses de verão.


Por: André Pereira (Fantastic TV)
Uma rubrica com a parceria "Fantastic Televisão"    


sexta-feira, 15 de junho de 2018

"Força de Expressão" #9 | Auto aceitação

"Força de Expressão" #9 | Auto aceitação


Infelizmente, o nosso mundo ainda vive de aparências. O cabelo, a roupa, o corpo, a forma como nos comportamos com amigos, tudo é fator para sermos categorizados. Nascemos com o pré-disposto de nos encaixarmos no padrão que a sociedade impõe. Até nas redes sociais tentamos mostrar além que não somos para ganhar likes (que é a aprovação da sociedade na forma virtual). Colocamos filtros em nós mesmos, quando o certo, seria aceitarmo-nos tal como somos.

Este texto não é destinado somente a mulheres. Normalmente o tema da auto aceitação é associado ao sexo feminino mas a verdade é que os homens também sofrem com os padrões da sociedade. As mulheres são "acusadas" pelo mundo por não manterem a depilação das pernas em dia, o cabelo arrumado, as unhas limpas, um corpo magro e atributos físicos bons, pele bonita, boa maquilhagem, entre tantas outras coisas. Os homens sofrem com a sua feminilidade, ou seja, são considerados "menos homens" por não gostarem de desporto, demonstrarem medos, preocuparem-se demasiado com o vestuário e até por não apreciarem as mulheres que passam quando estão entre o seu grupo de amigos. Para muitos, o que escrevi acima pode parecer completamente ultrapassado e exagerado. Mas não é. E todos nós julgamos os outros por coisas como estas, mesmo sem nos apercebermos. Está na cultura dos nossos antepassados e nos ensinamentos que nos foram chegando.

Ser diferente é algo muito abordado hoje em dia mas a prática é mais difícil. Tudo começa em nós. Para os outros nos aceitarem como somos, temos que nos aceitar nós primeiro. Em primeiro lugar, temos que deixar de ligar aos olhares alheios. "O que estão a pensar de mim?", "Porque estão a olhar?" entre outras perguntas que ecoam na nossa cabeça devem ser abolidas. Depois disto, saber olhar-se ao espelho é importante. O exercício é simples: coloquem-se em frente ao espelho sem roupa e vejam o que mais gostam e menos gostam no vosso corpo. E reconheçam tanto os defeitos como as qualidades. Ambos fazem parte de nós. É normal ter estrias, celulite, ter barriga e não ter o corpo completamente simétrico. Temos que saber valorizar o nosso corpo primeiro para depois nos aceitarmos. Dormir sem roupa é outra forma de nos começarmos a apreciar mais. Está provado cientificamente que dormir completamente nu faz bem à saúde física (pois a temperatura corporal altera-se durante a noite e estando nus, evitamos acordar com calor ou frio e afastamos constipações) e mental (pois começamos a ter mais contacto visual com o corpo e, consequentemente, aceitamo-lo melhor).

O próximo passo é começar a usar a roupa que queremos, que nos deixa confortável e não o que é certo pela sociedade. Se aquele par de sapatos não é confortável, não vamos usar. As mulheres não tem que usar saltos e os homens não tem que usar gravatas apertadas ao pescoço que não deixam respirar. Libertem-se do vestuário que nos magoa ou vos faz sentir mal mas por "obrigação" da sociedade tem que usar. É claro que determinados empregos exigem um tipo de roupa e não é disto que falamos neste texto, esse seria outro assunto. Mas no dia a dia. Não devemos ter medo de ousar. Cada vez mais as pessoas procuram criar o seu próprio estilo e isso é o correto. Não escolham a roupa para agradar aos outros, mas para vos agradar. E não utilizem a roupa como forma de esconder algo no vosso corpo. É errado.

Em seguida, devemos pensar que um piercing, uma tatuagem, uma cor de cabelo ou o que seja, não nos vão tornar menos ou mais que ninguém. Se queremos fazer algo devemos apostar nisso. Muitas vezes deixamos de fazer algumas coisas por medo do que vão achar. É errado pensar que as pessoas com piercings e tatuagens são delinquentes ou maus profissionais ou que alguém com o cabelo azul é menos maduro que outra pessoa com o cabelo castanho. Estes pequenos pormenores completam a nossa auto estima. Ganhem coragem para arriscar. Aceitem os nossos gostos e as vossas preferências, quer sejam a níveis gastronómicos ou de sexualidade, pois ambos não passam de algo que não define nada em ti.

Em jeito de conclusão, para começarmos a aceitarmo-nos como somos devemos:
1- Deixar de associar hábitos a homens e mulheres e encara-los como seres humanos;
2- Gostar do nosso corpo e reconhecer os seus defeitos e qualidades;
 
3- Não ligar à opinião dos outros;
4- Não ter medo de arriscar em nós mesmos e nos nossos gostos.

Aceitem-se. Bom trabalho!

Filipe Vilhena