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Da RTP à CMTV: “desejos” para 2026 – Segunda Opinião

Edição #288 | Por Filipe Vilhena

O ano está a terminar e os canais de televisão preparam as suas grandes apostas para 2026. Para encerrar a “Segunda Opinião” de 2025 (voltamos em breve, para mal de alguns), decidi não fazer o habitual balanço do que se passou, mas sim revelar alguns dos meus “desejos” para a RTP, SIC, TVI e CMTV.

Na estação pública, pede-se a continuação da aposta em ficção de qualidade. A RTP tem-se afirmado com as suas séries, que, além da enorme excelência no argumento e na imagem, dão trabalho a vários atores e são uma alternativa às novelas da SIC e da TVI. No entretenimento, todos aguardam o regresso do “Taskmaster” e a aposta em novos programas e concursos divertidos e leves, que tragam de volta o conceito de “programa que reúne a família no sofá”. Além disso, já que estou a pedir, deixem o “The Voice Portugal” descansar um bocadinho.

Na RTP2 e na RTP Memória é necessário rever a programação, perceber o que funciona e continuar a prestar serviço público aos espectadores. É verdade que nem sempre grandes audiências representam bom trabalho, mas se os canais não chegam a mais pessoas, significa que há algo a fazer. No caso da RTP2, acredito que fosse necessário reformular o seu conceito, uma vez que na programação temos conteúdos de cultura e desenhos animados. Talvez fosse interessante tornar o canal mais “jovem” e passar a parte da cultura para a RTP Memória (que deve mudar de nome), aliando grandes programas do arquivo com diversas apostas neste segmento. Na informação, e englobando aqui a RTP Notícias, pede-se a continuação do trabalho realizado, uma vez que as mais recentes apostas foram positivas.

Passando para a SIC, a primeira grande mudança deve acontecer nas tardes dos dias úteis. O canal emite horas e horas de ficção e faz falta um programa que possa diversificar esta tendência. Também nas tardes, mas do fim de semana, a estação deve rever apostas como o “Estamos em Casa” e até mesmo o “Domingão” e pensar em reformulações para trazer mais público. Ainda no entretenimento, o “Terra Nossa” pode ir de férias com o “The Voice Portugal” da RTP1. Em horário nobre, a ficção está bem e, aos fins de semana, pedem-se mais programas familiares. Na informação, a SIC precisa trazer novidades e reafirmar a sua marca – o que iria alavancar também a SIC Notícias – uma vez que a RTP, a TVI e a CMTV (também com o News Now) têm-se destacado.

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Já na TVI, “A Sentença” deveria ter menos horas por semana e libertar espaço para novos produtos. Além disso, seria interessante ter novamente Manuel Luís Goucha num programa de conversas e, quem sabe, até em dupla com Maria Botelho Moniz. São duas caras fortes, que poderiam reforçar as tardes. Quanto aos reality shows, a estratégia é tê-los durante o ano inteiro no ar, alternando entre o “Secret Story”, o “Big Brother” e, mais recentemente, “1ª Companhia”. Pode ser uma aposta vencedora, mas a longo prazo tornar-se cansativa para os espectadores - para além das diversas horas em que são emitidos segmentos com imagens e comentadores. Seria positivo procurar no mercado outros reality shows e reduzir um pouco o tempo dedicado a estes formatos na TVI. No entretenimento, aos sábados à noite, a estação poderia trazer alguns “clássicos”, como “A Tua Cara Não Me é Estranha”, “Uma Canção Para Ti” ou o “Dança com as Estrelas”, alternando com novas apostas, uma vez que estes formatos dão “vida” ao canal, são uma forma de “respirar” de tantas horas de reality shows durante a semana e podem também dar oportunidades a outros rostos de abraçar projetos – Maria Cerqueira Gomes, Iva Domingues, Mónica Jardim, Nuno Eiró ou Idevor Mendonça.

No V+ TVI, devem ser reforçados e mais promovidos o “Bom Dia Alegria”, o “V+ Fama” e os programas desportivos, que são a “base” da programação. O canal precisa também de novas apostas para subir as suas audiências e talvez fosse interessante deixar de emitir “A Sentença”, que não acrescenta nada à programação. Durante toda a tarde, aos dias úteis, temos novelas repetidas, o que faz do V+ TVI quase uma “TVI Memória” e penso que esse não seja o objetivo.

Por fim, falando na CMTV, a chegada da Luciana Abreu às manhãs e a aposta em novos programas de entretenimento vão afirmar o canal como uma generalista que passa a concorrer diretamente com a RTP, a SIC e a TVI. Apesar de ser um canal de Cabo, a CMTV tem-se mostrado cada vez mais competitiva e isso é bom. Vem agitar o mercado e “obrigar” as privadas a “mexerem-se” e a redefinirem estratégias. Acredito que a dupla Luciana Abreu e Rui Oliveira vá dar que falar, assim como os programas “Tarde das Estrelas” e “Noite das Estrelas”. Na informação, é indiscutível a marca Correio da Manhã e a aposta deverá seguir a mesma linha do apresentado até ao momento.

Termino esta edição da "Segunda Opinião" a agradecer a todos os leitores que, ano após ano, continuam a interagir com as crónicas, assim como a todos os que se juntaram. Bom Natal e Bom Ano de 2026 a todos! Voltamos a "encontrar-nos" em 2026.

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