“Segunda Opinião” 270- Herman José está cada vez melhor
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Estreada a 29 de setembro de 2014, "Segunda Opinião" é uma rubrica onde todas as semanas é abordado um assunto do mundo televisivo. |
O humorista
é considerado por muitos a figura central do humor em Portugal. Essa designação
não lhe podia “assentar” melhor, uma vez que Herman José já conta com 50 anos
de carreira. E a verdade é que o profissional já tinha 25 anos de carreira quando
eu nasci, portanto, infelizmente, não assisti a muitos dos seus programas de
sucesso, como “A Roda da Sorte” (1990), “Com a Verdade M’Enganas” (1994) ou o “Herman
Enciclopédia” (1997). O primeiro formato de Herman José que me recordo de assistir foi o “Herman SIC”, que esteve no ar entre 2000 e 2006. Fascinado por
televisão, aos seis anos já assistia a programas e, claro, sem entender muitas
vezes o que se estava ali a passar, “decorei” caras, como a de Herman José.
Lembro-me de o ver e achar que não era português porque tinha olhos claros (coisa de criança) e porque os seus programas tinham algo que não parecia "feito em Portugal". Não errei muito, uma vez que o artista tem descendência alemã, por parte do pai, e portuguesa, por parte da mãe. Herman José prende qualquer pessoa ao ecrã e faz humor para rir, não para chocar, para ofender ou para ser polémico. Tem “graça natural”, jeito para a escrita e para interpretar personagens. Mais à frente no tempo, recordo-me de o ver a imitar Júlia Pinheiro, com uma voz muito fina e que me fazia soltar gargalhadas.
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Herman José | Foto D.R. |
Ao longo do tempo, fui vendo muitos programas de Herman José, primeiro na SIC e depois na RTP1. Outro dos formatos que acompanhei assiduamente foi “Nelo e Idália”, com Maria Rueff, transmitido em 2015 – as personagens nasceram algures em 1998. Também na RTP1, num registo diferente, Herman José desconstruiu com requinte o daytime do canal público ao apresentar, com Vanessa Oliveira, o “Há Tarde”, em 2014. Muito há a dizer sobre este formato, que marcou a televisão no ano em que esteve no ar. Um piano, animação, conversas e uma dupla muito interessante. Arrisco-me a dizer que o “Há Tarde” foi dos melhores vespertinos da televisão portuguesa. Desde 2016 que “Cá Por Casa” faz parte da minha casa e que assisto a mais um programa recheado de conteúdo interessante, momentos para rir e conversas educativas, que enriquecem a cultura portuguesa (e a nossa cultura geral).
Herman José “resiste”
a um mundo onde todos os dias surgem “figuras conhecidas”, confundidas com “artistas”
e que roubam as atenções. E porquê? Primeiro, porque Herman José é único; em
segundo, porque o profissional se adaptou às novas formas de comunicar, como as
redes sociais, onde o seu trabalho é “fragmentado” em pequenos vídeos que fazem
rir quem está a fazer scroll. E só quem tem a audácia de se reinventar, é que
consegue manter-se no “estrelato” em Portugal.
Ao Herman José, só se pode dizer “obrigado” pelo trabalho. E os agradecimentos fazem-se em vida, quando a pessoa pode recebê-los, porque, crenças à parte, ninguém sabe bem o que está do outro lado.
Por: Filipe Vilhena
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