"Segunda Opinião" #163- "Regresso ao Futuro": O passado trará sucesso à SIC?
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| Estreada a 29 de setembro de 2014, "Segunda Opinião" é uma rubrica onde todas as semanas é abordado um assunto do mundo televisivo. |
Foi anunciado como "um dos segredos mais bem guardados da televisão" e estreou há três semanas. "Regresso ao Futuro" é, de caras, a novidade que faltava aos sábados. Mas será que tudo é vencedor neste programa?
A dupla não é nova e, sem dúvida, traz para o canal uma lufada de ar fresco. Cresceram nos "Ídolos" e têm agora um novo desafio. João Manzarra e Cláudia Vieira fizeram uma evolução notável e mostraram que a idade não é posto na apresentação de formatos em direto, em que não há teleponto e tudo pode acontecer. Na estreia, verdade seja dita, Manzarra mostrou-se um pouco forçado nas piadas e até infantil em certos momentos - o cenário perdeu logo um candeeiro porque o apresentador começou a dançar com ele. Contudo, Cláudia Vieira demonstrou a sua serenidade e talento para comunicar, sendo que na segunda emissão a conexão da dupla aumentou. São boas apostas, que trazem para os sábados uma energia diferente do que estamos habituados, num formato feito para pessoas dos 8 aos 80. Também Mariana Pacheco se tem mostrado uma peça essencial, com o seu talento musical, assim como a apresentadora Maria Dominguez, que chegou para falar no prémio, mas acrescentou muito ao programa.
O "Regresso ao Futuro" é uma viagem no tempo, que escolhe terminado ano (o último foi 2002) e recria roupas, músicas e traz à conversa artistas que, de algum modo, marcaram aquele ano. Os mais velhos vão identificar-se e os mais novos vão descobrir o que de melhor aconteceu, incluindo aqui os segmentos em que se recordam as personalidades que morreram. O conceito é, sem dúvida, inovador e muito interessante. Daniel Oliveira está a tentar atrair os mais novos para a televisão e, se nos recordarmos da SIC Radical, o programa "Curto Circuito" pode ser a "mãe" de "Regresso ao Futuro", até pelas semelhanças com o cenário. É bom os jovens reconhecerem que a televisão criou um programa dedicado a eles, com conteúdo e diferente dos habituais formatos de festas que vemos. A crítica a apontar, talvez seja a duração do formato. Portugal têm tendência a ter talk shows com emissões extensas, o que provoca a saturação do espectador. Afinal de contas, são quatro horas a falar do mesmo ano e, mais para a frente, as ideias vão começar a repetir-se (apesar da SIC ter vários anos por explorar). Com menos tempo - o ideal seria entre uma a duas horas - os temas seriam mais condensados e as ideias a aplicar poderiam ser dividas por outras emissões.
Como foi referido acima, o cenário de "Regresso ao Futuro" é muito interessante e têm semelhanças com o conceito aplicado no "Curto Circuito". É muito interessante que a SIC tenha ido buscar elementos como revistas, jornais, CD's, um gira-discos e cores que nos remetem para o passado, onde também a televisão tinha outra magia. Mais uma vez, o cenário da "Casa Feliz" é a 'base' do "Regresso ao Futuro", sendo esse, o único ponto negativo. Criar algo de raiz seria bom, pois notam-se alguns elementos 'reciclados' do programa de Baião e Diana Chaves.
Em termos de audiências, "Regresso ao Futuro" liderou na última emissão, com uma ajuda da "Taça da Liga", que acabou por o impulsionar e derrubar "Em Família". Os números não são muito positivos em termos isolados. Aqui poderá entrar a questão das quatro horas de programa, que acabam por o tornar um pouco cansativo e ainda o facto da SIC ter retirado o cinema, que tão boas audiências fazia. O público poderá sentir falta de um filme e ai, entramos mais uma vez na questão da duração de "Regresso ao Futuro", que se tivesse no máximo duas horas, permitiria a emissão de, pelo menos, um filme.
Por: Filipe Vilhena






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