sexta-feira, 15 de junho de 2018

"Força de Expressão" #9 | Auto aceitação


Infelizmente, o nosso mundo ainda vive de aparências. O cabelo, a roupa, o corpo, a forma como nos comportamos com amigos, tudo é fator para sermos categorizados. Nascemos com o pré-disposto de nos encaixarmos no padrão que a sociedade impõe. Até nas redes sociais tentamos mostrar além que não somos para ganhar likes (que é a aprovação da sociedade na forma virtual). Colocamos filtros em nós mesmos, quando o certo, seria aceitarmo-nos tal como somos.

Este texto não é destinado somente a mulheres. Normalmente o tema da auto aceitação é associado ao sexo feminino mas a verdade é que os homens também sofrem com os padrões da sociedade. As mulheres são "acusadas" pelo mundo por não manterem a depilação das pernas em dia, o cabelo arrumado, as unhas limpas, um corpo magro e atributos físicos bons, pele bonita, boa maquilhagem, entre tantas outras coisas. Os homens sofrem com a sua feminilidade, ou seja, são considerados "menos homens" por não gostarem de desporto, demonstrarem medos, preocuparem-se demasiado com o vestuário e até por não apreciarem as mulheres que passam quando estão entre o seu grupo de amigos. Para muitos, o que escrevi acima pode parecer completamente ultrapassado e exagerado. Mas não é. E todos nós julgamos os outros por coisas como estas, mesmo sem nos apercebermos. Está na cultura dos nossos antepassados e nos ensinamentos que nos foram chegando.

Ser diferente é algo muito abordado hoje em dia mas a prática é mais difícil. Tudo começa em nós. Para os outros nos aceitarem como somos, temos que nos aceitar nós primeiro. Em primeiro lugar, temos que deixar de ligar aos olhares alheios. "O que estão a pensar de mim?", "Porque estão a olhar?" entre outras perguntas que ecoam na nossa cabeça devem ser abolidas. Depois disto, saber olhar-se ao espelho é importante. O exercício é simples: coloquem-se em frente ao espelho sem roupa e vejam o que mais gostam e menos gostam no vosso corpo. E reconheçam tanto os defeitos como as qualidades. Ambos fazem parte de nós. É normal ter estrias, celulite, ter barriga e não ter o corpo completamente simétrico. Temos que saber valorizar o nosso corpo primeiro para depois nos aceitarmos. Dormir sem roupa é outra forma de nos começarmos a apreciar mais. Está provado cientificamente que dormir completamente nu faz bem à saúde física (pois a temperatura corporal altera-se durante a noite e estando nus, evitamos acordar com calor ou frio e afastamos constipações) e mental (pois começamos a ter mais contacto visual com o corpo e, consequentemente, aceitamo-lo melhor).

O próximo passo é começar a usar a roupa que queremos, que nos deixa confortável e não o que é certo pela sociedade. Se aquele par de sapatos não é confortável, não vamos usar. As mulheres não tem que usar saltos e os homens não tem que usar gravatas apertadas ao pescoço que não deixam respirar. Libertem-se do vestuário que nos magoa ou vos faz sentir mal mas por "obrigação" da sociedade tem que usar. É claro que determinados empregos exigem um tipo de roupa e não é disto que falamos neste texto, esse seria outro assunto. Mas no dia a dia. Não devemos ter medo de ousar. Cada vez mais as pessoas procuram criar o seu próprio estilo e isso é o correto. Não escolham a roupa para agradar aos outros, mas para vos agradar. E não utilizem a roupa como forma de esconder algo no vosso corpo. É errado.

Em seguida, devemos pensar que um piercing, uma tatuagem, uma cor de cabelo ou o que seja, não nos vão tornar menos ou mais que ninguém. Se queremos fazer algo devemos apostar nisso. Muitas vezes deixamos de fazer algumas coisas por medo do que vão achar. É errado pensar que as pessoas com piercings e tatuagens são delinquentes ou maus profissionais ou que alguém com o cabelo azul é menos maduro que outra pessoa com o cabelo castanho. Estes pequenos pormenores completam a nossa auto estima. Ganhem coragem para arriscar. Aceitem os nossos gostos e as vossas preferências, quer sejam a níveis gastronómicos ou de sexualidade, pois ambos não passam de algo que não define nada em ti.

Em jeito de conclusão, para começarmos a aceitarmo-nos como somos devemos:
1- Deixar de associar hábitos a homens e mulheres e encara-los como seres humanos;
2- Gostar do nosso corpo e reconhecer os seus defeitos e qualidades;
 
3- Não ligar à opinião dos outros;
4- Não ter medo de arriscar em nós mesmos e nos nossos gostos.

Aceitem-se. Bom trabalho!

Filipe Vilhena

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