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"Segunda Opinião" #48- "DDT": Os donos dos sábados à noite


"Donos Disto Tudo" chegaram à RTP1 para ocupar as noites de sábado. Depois de vários meses com programas muito semelhantes a ocuparem o horário (como "Sabe ou Não Sabe", "O Homem do Saco" ou "Tem um Minuto?"), a estação pública decidiu mudar a sua estratégia e apostar num formato de humor com alguns dos melhores profissionais portugueses da área.

Contudo, os portugueses parecem ser indiferentes a esta novidade. "Donos Disto Tudo" não se impôs nas audiências e, até agora, ainda não conseguiu passar os 10% de share. Mas isso não é o mais importante, neste caso. O principal é que a estação pública trouxe de novo o humor ao horário nobre - assim como o faz com "Nelo e Idália".

Em "Donos Disto Tudo", Ana Bola, Manuel Marques, Eduardo Madeira e Joaquim Monchique regressam a um formato próximo de "Estado de Graça". Mas agora, com mais classe. O cenário é mais contido, mas mais elegante, a banda residente mantém-se - o 'Três Tristes Trio' - e a qualidade técnica é também superior a "Estado de Graça" - e isso vê-se sobretudo nos sketches que recorrem ao chroma key, muito bem conseguidos neste formato.

O humor é pertinente e as interpretações são iguais ao que já nos habituaram. Pelo menos ao que estes quatro já nos tinham habituado. É que "Donos Disto Tudo" traz uma grande novidade: Joana Pais de Brito. A humorista vem ocupar, de uma forma natural, o lugar deixado vago por Maria Rueff. E fá-lo de uma forma brilhante. É incrível como em poucos programas, Joana Pais de Brito já nos brindou com imitações quase perfeitas de Catarina Martins, Ana Malhoa ou Cristina Ferreira. A atriz que já tinha dado cartas no humor, sobretudo no Canal Q, mas também na RTP1, em "Agora Escolha", mostra agora que é realmente uma das grandes revelações da sua geração.

O formato remete-nos, em parte, para o extinto "Docas", que a RTP1 transmitiu nos anos 90. E conta com um convidado semanal, que torna cada emissão mais dinâmica e um pouco surpreendente. Afinal, já passaram pelo palco do DDT nomes como Maria João Abreu, Rita Lello ou José Pedro Gomes. Neste aspeto, um ponto que, por vezes, é menos bem conseguido, é a pouca naturalidade com que alguns textos são lidos no teleponto. E isso nota-se, porque os atores não são apresentadores.

Enquanto isso, neste horário, a SIC e a TVI emitem novelas a esta hora, formulas vencedoras mas que não se destacam pela diferenciação. A RTP1 está a cumprir o seu dever enquanto canal público, ao apostar em "Donos Disto Tudo", e apesar não ser compensada nas audiências, sai a ganhar por isso.

Posto isto, o balanço que se faz de "Donos Disto Tudo" é francamente positivo. Um formato que se aproxima daquilo que vemos, por exemplo, numa Revista à Portuguesa, mas com um toque de elegância e, obviamente, adaptado ao universo televisivo. Sem grandes pretensões, bem conseguido e a cumprir o seu dever: entreter. Espera-se que o público descubra o programa e que vá acompanhando, seja na televisão ou na internet. 

Por: André Oliveira (Fantastic TV)
Uma rubrica com a parceria do "Fantastic Televisão"

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